O prefeito Eduardo Paes defendeu a legalidade do leilão que permitiu a venda do terreno do antigo Gasômetro, desapropriado pela Prefeitura para a construção de um estádio para no mínimo 70 mil pessoas, alvo de múltiplos questionamentos judiciais nos últimos dias. Ele também prometeu ajudar o Flamengo, único interessado e vencedor do leilão, a financiar o estádio com a transferência de potencial construtivo da Gávea, que também deve ser questionada na Justiça.
“Todo esse processo foi feito dentro da legalidade. A Prefeitura fez a desapropriação de um imóvel pertencente não à União. Tudo foi feito dentro da regra, dentro da lei”, afirmou.
➕ Flamengo é único interessado e arremata terreno para estádio por R$ 138 milhões
Paes ressaltou que a construção do estádio do Flamengo faz parte de um plano maior de revitalização da zona portuária.
“Nós estamos desde 2009 fazendo um esforço enorme para que o Rio de Janeiro volte a ocupar o seu Centro. Museu do Amanhã e MAR foram os primeiros grandes equipamentos trazidos para cá. Recentemente a gente inaugurou o Impa aqui nessa região. Nós ao longo deste tempo trouxemos equipamentos icônicos para cá. E nós sabíamos que havia uma demanda por parte do maior clube do Brasil, o Flamengo. Falo isso aqui como vascaíno. Havia uma demanda por um estádio desse clube tão tradicional, tão importante, 129 anos de história sem um estádio”, afirmou.
O prefeito disse acreditar que o estádio vai atrair mais moradores para a região portuária e ajudar a reverter a expansão da cidade em direção à Zona Oeste e o esvaziamento do Centro.
“Neste primeiro passo dado, tendo o Flamengo a possibilidade de ter um estádio, é uma alegria para o prefeito dos cariocas pela importância que o Flamengo tem para a cidade do Rio de Janeiro e para o Brasil. Mais do que isso e tão importante quanto isso é importante saber que nós teremos aqui neste espaço tão importante para a cidade do Rio de Janeiro mais um equipamento icônico que vai atrair mais gente para morar aqui, para viver aqui, para fazer comércio aqui e fazer que essa lógica perversa que aconteceu durante décadas no Rio de Janeiro da expansão territorial em direção ao Oeste abandonando a área central possa ser revertida”, afirmou.
Paes cita ajuda a Vasco ao prometer potencial construtivo
Paes prometeu enviar um projeto de lei permitindo a transferência do potencial construtivo da Gávea para ajudar a financiar o estádio. O Flamengo estima arrecadar entre R$ 400 milhões e R$ 700 milhões com esse expediente, já usado recentemente na reforma de São Januário.
“Então a gente dá o primeiro passo, temos um longo caminho a ser percorrido, nós vamos estudar, eu posso adiantar isso, da mesma maneira que eu ajudei o Vasco da Gama com a questão de São Januário, com potencial construtivo sendo transferido para outras áreas da cidade, da mesma maneira que nós já estamos em discussão com o Fluminense para fazer a mesma coisa em relação às Laranjeiras, da mesma maneira que nós temos discussões com o Botafogo sobre centro de treinamento e sobre a concessão do Engenhão, nós vamos também estudar de que maneira a cidade do Rio de Janeiro pode colaborar neste desafio obviamente, vencida a primeira etapa hoje, para que o Flamengo possa ter o seu estádio com ajuda da Prefeitura com a transferência do potencial construtivo da Gávea”, disse Paes.
Entretanto, essa transferência deve atrair novos questionamentos legais. Isso porque o Estatuto das Cidades só permite que o potencial construtivo seja explorado pelo proprietário do terreno. No caso da Gávea, o Flamengo tem apenas o domínio útil do terreno, que pertence ao governo do Estado.
Enquanto o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, comentava a promessa do prefeito, Paes fez questão de interromper a fala para dizer que o dinheiro “já é do Flamengo, não é dinheiro público”.
“A gente já teve uma boa notícia aqui do prefeito, que vai nos ajudar com o potencial construtivo. Mas ele deixou muito claro, Landim, esse dinheiro é um dinheiro carimbado para construir o estádio e eu vou estar na verdade auditando isso. Isso aí não é para gastar para comprar jogador não. Isso é algo que tem valor para a gente negociar no mercado imobiliário, mas vai ser uma conta em separado na qual a gente vai ter que prestar contas para a prefeitura de que esse dinheiro está sendo canalizado 100% para a construção do estádio”, afirmou Landim.
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